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BULLYING

  • Foto do escritor: Vinicius Carlos
    Vinicius Carlos
  • 14 de abr.
  • 6 min de leitura

BULLYING


Bullying é uma palavra que vem do inglês e significa assédio moral, este termo diz respeito a brincadeiras desrespeitosas que são praticadas repetidas vezes de forma intencional contra uma pessoa. Este tipo de brincadeira normalmente é praticado contra pessoas que estão em algum tipo de desvantagem, seja ela física, numérica, econômica, social ou qualquer outro tipo de desvantagem.

O bullying pode ocorrer no ambiente escolar entre os alunos, em casa entre os membros da família, na igreja entre pessoas que compartilham da mesma crença, no âmbito organizacional entre os funcionários de uma empresa. Em qualquer ambiente em que uma pessoa se sinta desrespeitada, constrangida devido a brincadeiras de mau gosto que são praticadas reiteradas vezes o bullying está caracterizado.

Este tipo de pratica é feito tanto por homens quanto por mulheres, mas as pesquisas apontam que há uma predominância de homens em relação a mulheres no que tange ao bullying. A principal diferença entre os sexos sobre estas brincadeiras é a sua natureza, enquanto os meninos costumam ser mais agressivos ao praticarem bullying fazendo até por muitas vezes uso da força física, as meninas costumam fazê-lo na base de intrigas, fofocas ou isolamento de uma pessoa indesejada.

As brincadeiras de mau gosto que acontecem repetidas vezes não ocorrem apenas de forma verbal. A verbalização é apenas uma das muitas formas através das quais o bullying pode ocorrer. Estes atos também podem se manifestar através do bullying virtual ou cyberbullying, bullying fisíco, material, psicológico, sexual.




FORMAS DE BULLYING


Bullying verbal: esta forma de bullying se caracteriza quando uma pessoa é xingada, ofendida, recebem apelidos em tom de menosprezo, é vitima de fofocas, calunias e coisas semelhantes a estas. Embora esta forma de bullying ocorra em todas as faixas etárias, há uma predominância entre os adolescentes, pois é durante o período escolar que esta prática acontece com mais freqüência.

Bullying virtual ou cyberbullying: ocorre através de celulares, tablets, notebooks, ipads, computadores ou tecnologias relacionadas. O bullying praticado no ambiente virtual tem crescido vertiginosamente nos dias atuais por conta da internet e das redes sociais. Este ato pode ocorrer por intermédio de vídeos vazados, memes, noticias falsas, montagens de fotos entre outros meios.

Bullying físico: é quando se agride alguém, empurra, chuta, dá tapas e beliscões. Diferente dos outros tipos esta forma de brincadeiras desrespeitosas podem machucar a vitima e também há o risco de deixar seqüelas físicas.

Bullying material: acontece quando a vitima tem os seus pertences roubados, furtados, escondidos ou danificado pelo agressor.

Bullying psicológico: se dá quando o agressor humilha, exclui, discrimina, intimida e chantageia a vitima. Qualquer forma de bullying pode trazer serias conseqüências psicológicas, mas esta forma de bullying potencializa as chances da vitima ter um comprometimento na sua saúde mental. No próximo tópico falarei sobre as conseqüências do bullying na saúde mantal da vitima.

Bullying sexual: atos libidinosos, abusar sexualmente, violentar, insinuar, são alguns comportamentos que evidenciam esta forma de bullying.




PERFIL DO AGRESSOR


Há diversas razões pelas quais as pessoas praticam bullying, destacarei alguns aspectos que podem contribuir para este tipo de prática. O primeiro aspecto que abordarei é a falta de limite no contexto familiar, o segundo fator a ser abordado será a reprodução dos padrões comportamentais das pessoas que estão próximas do agressor, o terceiro motivo será a possibilidade do agressor está vivenciando algum tipo de dificuldade em sua vida e a quarta razão a ser destacada é o bullying está associado a algum transtorno de personalidade ou mental.E o quinto tópico a ser discorrido é uma possível carência afetiva.

Pessoas que crescem em um ambiente familiar sem limites podem levar este padrão de comportamento para outros contextos, possivelmente não respeitarão o espaço que pertence ao outro e podem desenvolver a prática do bullying. Segundo a psicologia há 4 modelos parentais, são eles os pais indulgentes, negligentes, autoritativos e autoritários. Pais indulgentes são aqueles que estão presentes no dia a dia dos seus filhos, mas não impõem limites, normalmente não dizem a palavra não para os seus filhos e sendo assim contribuem para o surgimento de possíveis algozes no que diz respeito a recorrência das brincadeiras desrespeitosas. Existe também o modelo parental negligente, pais com este perfil se caracterizam por serem ausentes no cotidiano dos seus filhos. Por serem negligentes não educam de forma adequada potencializando as chances de comportamentos disfuncionais na sociedade. Pais autoritários dizem não, mas não explicam a razão da negativa, filhos que crescem em um ambiente assim, tendem a ser retraídos, com pouca iniciativa e criatividade. Mas existem os pais autoritativos que são aqueles que colocam limites, mas explicam a razão do não para determinada situação e são presentes na vida dos filhos, pais autoritativos, são os pais ideais.

Muitos praticam bullying porque replicam nas suas relações interpessoais aquilo que presenciam no ambiente familiar diariamente. Pessoas que crescem famílias disfuncionais em que não há respeito entre os seus membros, onde existem xingamentos e agressões físicas, podem passar a reproduzir estes tipos de comportamentos em outros ambientes com outras pessoas.

Há também quem faça bullying por estar vivendo alguma dificuldade pessoal como separação dos pais, morte de um familiar, perda de alguma coisa que tenha valor significativo para a pessoa, dificuldades financeiras, entre outras coisas. Pessoas que praticam bullying por esta razão normalmente agem desta forma circunstancialmente, ou seja, até a situação normalizar.

A prática do bullying também pode estar associada a algum transtorno mental ou transtorno de personalidade. Tais transtornos podem fazer com o agressor tenha comprometida a sua capacidade de ter empatia e altruísmo. Pessoas com este tipo de comprometimento precisarão ter um acompanhamento psicológico e psiquiátrico para ter as suas demandas tratadas.

Pessoas que vivem a realidade da negligência afetiva no ambiente familiar podem encontrar na prática do bullying uma forma serem vistas e admiradas pelos outros. Frequentemente o que mantém a pratica destas brincadeiras desrespeitosas é a forma como os outros que estão ao seu redor se comportam. As risadas emitidas pelos outros em relação a vitima, se torna uma reforçador para que o agressor mantenha a freqüência daquele comportamento.


PERFIL DA VITIMA

Os bullies (agressores) normalmente escolhem pessoas que estão em algum tipo de desvantagem, seja por situação socioeconômica, idade, porte físico ou até porque estão em desvantagem numérica. Além disso as vitimas apresentam características que destoam dos demais, podem ser tímidas, nerds, tem alguma característica física exacerbada, podem ser de religião, raça ou orientação sexual diferente. Tais variáveis já podem tornar estas pessoas vulneráveis

Não há justificativas cabíveis que normatizem a prática das brincadeiras desrespeitosas, mas estas variáveis podem deixar a vitima em situação de desvantagem perante o seu algoz.


IMPACTO EMOCIONAL DO BULLYING NA VIDA DA VITIMA

           

Não necessariamente toda vitima de bullying terá algum transtorno mental, por conta da experiência vivenciada. As conseqüências do bullying podem ser as mais variadas possíveis, o que acontecerá com a vítima dependerá de uma pré-disposição genética, do apoio familiar, social e do apoio profissional que a pessoa receberá para lidar com aquela situação.

Pessoas que sofreram bullying principalmente no ambiente escolar podem desenvolver desinteresse pela escola, transtorno de pânico, fobia social, fobia escolar, transtorno de ansiedade generalizada, comportamentos de automutilação, anorexia, bulimia, estresse persistente, estresse crônico, depressão de diferentes formas, podem ocorrer também homicídios e suicídios. Vitimas de bullying podem se tornar pessoas que tem dificuldade de dizer não, que tentam agradar os outros em tudo para minimizar a possibilidade de reviver as brincadeiras desrespeitosas.


COMO AJUDAR AS VITIMAS DE BULLYING


A identificação precoce por parte dos cuidadores e professores é essencial para acolher as vitimas de bullying. Pois nem sempre quem está sofrendo com esta situação se sente à vontade para verbalizar a sua condição, seja por medo do algoz, vergonha, culpa, receio de serem julgados pelos responsáveis, entre outras variáveis que limitam a verbalização das brincadeiras desrespeitosas.

Os responsáveis também podem utilizar os serviços dos profissionais da área da saúde mental para darem suporte as vitimas, psicólogos e psiquiatras dispõem de técnicas cientificamente validadas que podem auxiliar o individuo neste processo. Quanto maior for a rede de apoio de alguém que vive esta realidade maiores serão as possibilidades de sucesso no tratamento deste individuo.

Os responsáveis também podem contribuir ajudando as vitimas a descobrirem as suas potencialidades e capacidades, criando um espaço para que estas habilidades sejam desenvolvidas e reforçadas. Contribuindo assim para o resgate da autoestima deste individuo.

 
 
 

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