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AUTOLESÃO

  • Foto do escritor: Vinicius Carlos
    Vinicius Carlos
  • 14 de abr.
  • 4 min de leitura





A autolesão pode ser definida como qualquer comportamento intencional envolvendo agressão direta ao próprio corpo.

As formas mais recorrentes de autolesão são esmurrar-se, chicotear-se, cortar-se com giletes, navalhas, vidros e facas, enforcar-se por alguns instantes, morder as próprias mãos, lábios, língua ou braços, apertar ou reabrir feridas, arrancar os cabelos, queimar-se, furar-se com agulhas, arames, pregos, canetas, beliscar-se, ingerir agentes corrosivos, pregos, alfinetes etc., se bater, socar paredes e outras superfícies ásperas capazes de machucar as mãos e envenenar-se, sem a intenção de suicídio.


QUAL FAIXA ETÁRIA SE AUTOLESIONA COM MAIS FREQUÊNCIA?


Muitos pensam que ocorre apenas em adolescentes, mas não. Embora crescente nessa população, a autolesão é comum em adultos. Mas ainda é mais frequente em adolescentes. Entre os adolescentes que se autolesionam há uma predominância de meninas em relação aos meninos. Segundo um recente estudo inglês 88% dos pacientes são do sexo feminino; a idade média atual é 16 anos; na maioria das vezes, o objetivo da autoagressão é lidar com a desregulação emocional.


PERFIL DO AUTOMUTILADOR


Pessoas nesta condição tendem a ter grandes dificuldades para se expressar verbal ou emocionalmente, portanto, não conseguem falar publicamente sobre suas angústias nem chorar diante de outras pessoas. Essa dificuldade de expressão acaba, em muitos casos, sendo um forte fator que desencadeia o comportamento autodestrutivo. Desse modo, alguns tendem a se afastar da família e dos amigos, buscando poupá-los do mal que presumem ser a sua presença. Com o tempo, se veem executando sozinhos atividades que costumavam fazer em grupo.


DIAGNÓSTICO DA AUTOLESÃO


Segundo a Classificação Estatística Internacional de Doenças e problemas Relacionados à Saúde (CID-10), a autolesão insere-se na categoria de transtornos dos hábitos e dos impulsos. A autolesão, dependendo do caso, pode ser tratada como um sintoma de transtorno mental ou transtorno de personalidade, normalmente esta prática está associada a outros sinais e sintomas que caracterizam estas patologias. Na prática observa-se que os praticantes buscam alívios e válvulas de escape para problemas emocionais, como dificuldades de relacionamento e de expressão.

De acordo com estudos psiquiátricos, o comportamento autolesivo pode ser classificado em quatro categorias:

1 - Estereotipado: é bastante repetitivo, monótono, fixo, com freqüência ritmado e aparentemente comandado. As lesões tendem a manter um mesmo padrão, que pode variar desde ferimentos leves até graves que, algumas vezes, colocam em risco a vida do paciente. Em geral é associado à retardo mental, autismo e algumas síndromes.

2- Maior: inclui formas de autoferimentos graves, que colocam, de maneira recorrente, a vida do paciente em risco, causando danos irreversíveis como castração, enucleação e amputação de extremidades. Presente em quadros psicóticos como esquizofrenia, transtorno bipolar, transtorno da personalidade severo e transtorno da identidade de gênero. Delírios como temas religiosos são comuns, incluindo idéias de salvação, punição e tentação.

3 - Compulsivo: inclui comportamentos repetitivos, às vezes rítmicos, podendo ocorrer várias vezes durante o mesmo dia e diariamente.

4 - Impulsivo: é o mais comum deles, e inclui cortar a própria pele, queimar-se e bater-se. Estes comportamentos podem ser conceituados, como atos agressivos impulsivos, para os quais o alvo da agressão é o próprio indivíduo. Eles costumam ocorrer após a vivência de uma forte emoção, como a raiva, sendo vistos como forma de lidar com esta. Logo, podem ser desencadeados por uma vivência traumática ou apenas sua lembrança.


RAZÕES DA AUTOLESÃO


A autolesão intencional normalmente está associada a pelo menos um dos seguintes casos: Dificuldades interpessoais incluindo amizades, problemas escolares, sentimentos ou pensamentos negativos, tais como depressão, ansiedade, transtornos de personalidade, tensão, raiva, angústia generalizada ou autocrítica, brigas com familiares e brigas com cônjuge.

A automutilação é para muitas pessoas a válvula de escape para as dores emocionais que as acomete.

Entre as principais finalidades com que a pessoa faz isso temos a necessidade de aliviar um estado ou sentimento negativo, como um estado ansioso, depressivo, sentimento de angústia, frustração, desespero, tensão, raiva e, até autocrítica. Também o fazem na tentativa de induzir um sentimento positivo e até como forma de lidar com as relações interpessoais.

O ato normalmente é impulsivo e ocorre para alívio imediato da situação causadora. O alívio ou resposta desejado são experimentados durante ou logo após a autolesão, e o indivíduo pode exibir padrões de comportamento que sugerem uma dependência em repetidamente se envolver neles.

 

CONSEQUENCIAS DA AUTOMUTILAÇÃO


A automutilação tem consequências graves para a vida pessoal e social do paciente. Ele passa a evitar convívio social, pois precisa esconder as marcas da autoagressão. Situações de exposição do corpo, como eventos esportivos e lazer, por exemplo, são evitados ao máximo.

A pessoa que se autolesiona tem imensa dificuldade de falar do seu problema, e tal introspecção (associada ao isolamento social) leva muitas vezes à depressão. Pode causar uma variedade de complicações, como infecções, cicatrizes e desfigurações permanentes.

Embora a automutilação não seja uma tentativa de suicídio, pode produzir a morte.


COMO IDENTIFICAR UM AUTOAGRESSOR


Existem alguns comportamentos que podem indicar a prática da autolesão. Dentre eles, o hábito de vestir calças e blusas de manga compridas mesmo durante o calor. O aparecimento de lesões e cicatrizes sem causa aparente.

Alterações psicossociais também podem ser um indício. É importante observar a preferência por isolamento social, cenários de impulsividade, irritabilidade, autocrítica exacerbada, transtornos alimentares e diminuição da higiene pessoal.


COMO AJUDAR UM AUTOAGRESSOR


A primeira conduta a ser seguida é criar um ambiente acolhedor, considerando a individualidade de cada um, sem negligenciar suas dores psicológicas.

A partir daí, é essencial analisar e estabelecer uma relação de confiança e afetividade, buscando dialogar continuamente. É importante, também, tentar mostrar que existem outros meios de solucionar os problemas que não sejam por automutilação.

Uma grande aliada do tratamento é a terapia psicológica que permite identificar e tratar os motivos que levam a essa prática. Desse modo, o apoio profissional auxilia a pessoa a ser capaz de descobrir alternativas saudáveis para resolver suas perturbações.

Dependendo do caso, medicamentos também podem ajudar a diminuir ou cessar os episódios de autolesão o uso adequado deve ser acompanhando de uma equipe de saúde e associado à psicoterapia.

A família tem papel mais do que fundamental nessa jornada e também deve buscar apoio psicológico, quando possível.











 
 
 

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